28.8.06
(por Ivana M.)
Nós, os tristes, também ficamos como quem sonha
choramos de rir de gente que apanha
temos muitas dúvidas, mas muitas saudades
dos tempos de muita certeza
(quem neste mundo ainda crê
que os tristes só têm tristeza?)
Nós, os tristes, também gritamos o amor
caímos no sofá, pulamos de prédios
vemos as pedras sozinhas nas calçadas
nos tempos de riso ou cólera
temos amigos abastados e pensamentos pobres,
lemos os livros dos poetas e dos escritores
Nós, os tristes, também guardamos o nosso dinheiro
também fazemos teatro
e aulas de dança de salão
Nós temos muitos amigos, nós temos poucos,
não temos razão, mas somos sábios
entre o pó e os anos férteis, sofremos a dor do nada
e se não há o beijo na testa, entendemos uns aos outros
Nós, os tristes, somos alegres
com a ressalva da vida que resta:
ser o papel que o vento se recusa a deixar cair
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