4.8.07


Os equilibrados-perfeitos
Ivana Millán

Há anos escuto que bom mesmo é ter equilíbrio. Não gastar muito, mas não ser pão-duro. Não negar a Deus, mas não ser fanático. Ser alta, tudo bem, mas não usar salto pra não parecer uma drag queen. Escrever, sempre, mas não muito pra não demonstrar histeria (se você escreve muito é criticado como foi Neruda e se escreve pouco, olha só o que diziam da Emily Brontë...).

Seja sóbrio! Mas... beba com moderação. Cante! Mas não o suficiente pra pagar mico nas festinhas do trabalho (nem pouco, senão vão achar que você não é suficientemente feliz, pois "quem canta seus males espanta" e você não quer ser cheio de males não espantados, quer?)

Eu me pergunto: será que existe gente assim? Realmente existe gente assim? Equilibrada-perfeita?

Equilibrada-perfeita que sabe exatamente como e o que dizer, que sabe "portar-se na sociedade", quem tenha uma religião equilibrada, quem não seja nem tão espontâneo (disso me acusam desde que nasci), nem tão tímido; nem tão zoador, nem tão mal-encarado. Ter só dois filhos (um casal, pra mostrar equilíbrio perfeito), não rir de quem cai, não ter vontade de soltar pum na frente dos outros, nem na piscina, nem na hora do discurso do reitor da faculdade...

Tem gente que só tira oito e meio, nunca dez e nunca cinco? Que toma banho com Dove e lava a cabeça com Seda Cabelos Normais? Que nunca tentou soprar farofa nem dizer "farofa" comendo paçoca?

E será que existe gente que é tudo isso ao mesmo tempo?

Acho que sim! De verdade! E acho que essas são as pessoas que moram nas montanhas geladas do Himalaia (ou no Everest). Porque sempre que alguém tenta subir lá volta tão traumatizado... os escaladores devem se sentir um lixo depois de encontrarem com os equilibrados-perfeitos.

Tenho na verdade três investigações para concluir, se no Himalaia, se no Everest ou se no Tibet. Os monges tibetanos devem ser equilibrados-perfeitos originais! Lembram do filme do Brad Pitt? Eram todos tão equilibrados-perfeitos!!!

Decidido. Farei uma viagem ao Tibet.
(Pareço muito burguesinha dizendo isso. Será que tem passagem da Gol pra lá?)

...

13.6.07


Noisy
(por Ivana Millán)

Fica sentado na sala sem dizer uma palavra a ninguém.
Senta na varanda sem dirigir o olhar sequer às árvores que chacoalham.

Pensa na vida como se ensaiasse para o Dia Nacional dos Parentes Apáticos.

Não vê nada, não cheira a nada, não fala nada. Mas sua presença produz um ruído brusco.
Sempre que senta na sala, cala-se, e todos se calam. Ninguém se atreve a desrespeitar tamanha reverência ao silêncio.
Sempre que senta num banquinho no terraço todos descem. Ninguém ousa interromper tamanho diálogo entre ele e a maldita calada.
Se alguém o encontra pensando na vida, dá piruetas e sai pro lado. Imagine ouvir todo aquele barulho de lembranças tão bem protegidas! Não ri nem sorri. Nem canta. Nem assovia. E nem assovia mesmo!
Só tumultua.

Só tumultua.

24.2.07

Esto sí
(por Ivana M.)

Hasta que el infierno se gele
Esto es lo que hay

Una mujer a quien no le queda tiempo
Una culpa sincera que le da en el coco
y un frío machaca el estómago

Es lo que hay,

El amor pegado a una caja de bombones,
Las historias del sábado y los cines,
la familia de mierda
y una a la que no le queda tiempo.

Váyanse los que no pueden oír,
que a cuatro duras manos una mató
todos los vasos, acuarios, cuadros
hombres, hijos y matrimonios
(en una fase plenaria donde no se podía pactar)
y todas las joyecitas y ropas de onda.

Una a quien no le vieron.
Esto es todo lo que hay, compañero.

3.10.06


Os quatro
(por Ivana M.)


Elas eram lindas! Dançavam juntas. Eles eram feios, dançavam com elas.
Elas, brancas, uma nova, uma mais velha: uma a cara da outra, mãe e filha.
Eles, da mesma idade, um negro, um nordestino. Amigos. Pareciam os quatro uma aberração natural das que não se imagina encontrar. Não eram da mesma classe social, não eram parecidos, não tinham a mesma cultura. Elas sim eram cultas, estudadas, e dançavam... dançavam. E olhavam uma à outra. E quase se beijavam. E se animavam, duas, tres vezes a cada música que ouviam. Sorriam, deixavam-se abraçar.

Eles as abraçavam. Eles não sentiam o enorme cadafalso a que nos condenavam. Que amigos estranhos! E quanta intimidade! E quanta alegria, Deus! Por que os sussurros ao pé da orelha? Eles tinham mesmo que nos matar de tanta angústia? É fato, não eram amantes os quatro. Não podiam ser. Era a pura amizade aberrada.

Angústia, nojo, nojo sentíamos todos os que tinham que ver aquele circo! Como se atreviam a esnobar todo aquele prazer? Acaso não pensavam nas pessoas normais sentadas nas mesas?

Eles sentaram, elas sentaram.
Todos os observávamos esperando que em algum momento topassem com uma porta, caíssem de bêbados, brigassem ou se fossem.
Os quatro descansaram por quinze minutos. Outra vez a raiva tomava conta de nós: eles riam, elas riam, eles gritavam. Nesse minuto já haviam percebido a força de nosso ódio.

Aquele negro, aquele nordestino, aquelas duas, não havia limite! Passaram toda a noite num duelo inimaginável, provando-nos o quão odiosos podem ser os alegres, e que, apesar de toda a insistência, nós, normais, sabemos direitinho ignorar esse tipo de gente.

22.9.06

O primeiro beijo da borboleta adolescente
(por Ivana M.)

O fundo do poço e o escurinho, as provas
daqueles desejos que levam ao caos,
chave do engano da mente e do corpo

Perdidas as coisas do mundo que eram
perdidas...

Perdidas as palavras de amor dos livros de português
Perdidas as manhãs de liberdade mental
Perdidos à vez os que viam
aquela brutalidade, aquela borboletinha...

E choram as águas dos mares mortos
Pensam cair as folhas das últimas árvores
Gemem ao ver a desgraça da vidinha iniciada
Não há nada que mais dizer. Era o bicho do casulo!

Imago,
voôu.

11.9.06

Imortalidade
(por Caroline Gonçalves)

A vida é
uma coleção
tão breve
de pequenos
pedaços
de eternidade...
Curta demais
pra piscarmos;
curta demais
pra respirarmos;
curta demais
pra vivermos;
e, no entanto,
longa o suficiente pra continuarmos vivos.
Enquanto houver vida,
há lembrança;
enquanto houver lembrança,
a morte deixa de ser o fim.
A imortalidade está em cada segundo –
cada som e cada silêncio.

3.9.06

O só
(por Ivana Millán)

Que mãos inchadas tem aquele menino
sentado à porta do barbeiro
Que mãos gordinhas e sujas
as de seu corpo magro e molengo
Aquele menino de rosto de barro
e unhas de graxa
que cospe, que esconde, fala sozinho
e imagina seus cinco minutos

Que feios os dedos daquele moreninho
jogando à porta do barbeiro
sem ver que tem gente na rua
olhando pra ele sem unha e sujinho
Aquele garoto de muitas palavras
sozinho, sozinho

Todos aqueles dois olhos fitos no chão
olhando os bichos do chão e falando
sozinho

Que feio aquele menino de roupa vermelha
que feios seus dedos
feinho, tadinho
tão pobrinho, tão pretinho
com umas mãos inchadas tão feias
ri sozinho, sozinho. Nem olha pra mim.

A draga
(por Ivana M.)

Todos se detiveram ao ver aquela mulher. Uma repentina poluição visual.
Ela não andava, se arrastava. Seus pés estavam no chão, pesados. Seu corpo, todo, completo, tinha como mediadores daquele milagre gravitacional seus pés. Não eram pés anômalos, eram pés de obesos preguiçosos. Os dedos, que já não se mexiam, eram apoios paralíticos para algo grande que a sustentava, como uma draga invisível que a fazia locomover-se. A sola pisava tremenda, uma espécie de esteira de aço onde se poderia facilmente escutar o ranger da galhofaria, o barulho das peças velhas e enferrujadas daquela máquina fatigante e bizarra que inundava a sala à medida que a cruzava, como um buque de carga, rangia.
Não tinha mais que vinte anos aquela velhaca incabível, aquele entulho delgado, aquela severa sovela novata, que espatifava os nossos olhares com sua juventude falhada e miúda e nauseante.

28.8.06



(por Ivana M.)

Nós, os tristes, também ficamos como quem sonha
choramos de rir de gente que apanha
temos muitas dúvidas, mas muitas saudades
dos tempos de muita certeza


(quem neste mundo ainda crê
que os tristes só têm tristeza?)

Nós, os tristes, também gritamos o amor
caímos no sofá, pulamos de prédios
vemos as pedras sozinhas nas calçadas
nos tempos de riso ou cólera
temos amigos abastados e pensamentos pobres,
lemos os livros dos poetas e dos escritores

Nós, os tristes, também guardamos o nosso dinheiro
também fazemos teatro
e aulas de dança de salão
Nós temos muitos amigos, nós temos poucos,
não temos razão, mas somos sábios
entre o pó e os anos férteis, sofremos a dor do nada
e se não há o beijo na testa, entendemos uns aos outros

Nós, os tristes, somos alegres
com a ressalva da vida que resta:
ser o papel que o vento se recusa a deixar cair

26.7.06

Dia ociante...
(um guardanapo e uma caneta Stabilo)


Clique na imagem para ver melhor

13.7.06


Uma lástima!

por Arquimimo Novaes
(meu professor)


“O Ricardinho é a melhor coisa do mundo!” – disse uma aluna da 6ª série, que deve contar com seus doze anos de idade. Ela não disse para mim, mas para uma amiga. A declaração foi tão alta e espontânea que não pude deixar de registrar. Está bem, o nome dele não é exatamente Ricardo, mas o resto é tudo verdade! Inclusive o uso do carinhoso diminutivo. A frase da aluninha me tocou, funcionou como um alerta para minha sapiência adulta. Como banalizamos o cotidiano e deixamos de nos encantar com aquilo que realmente vale a pena! Está tudo errado, uma lástima!

Se a comida está bem feita, aquela delícia… não importa! Isso já se tornou a normalidade desejada. Deixamo-nos surpreender somente pelo bife estorricado, pelo arroz sem sal, pelo feijão queimado. Uma lástima!

Se a mulher se fez mais bonita para você… não é motivo suficiente para um sorriso! Está lá a normalidade desejada. A preocupação com a última ruga ou com os gramas a mais que conseguiu no último verão é que motiva o seu tormento. Uma lástima!

Se o filho com todo esforço do mundo conseguiu aquele rendimento excelente na escola… cumpriu apenas a sua obrigação de estudante! É normalidade mais que desejada. Os dedos apontam para os vacilos do passado recente na prova de História e de Matemática. Uma lástima!

Se o seu porteiro abre-lhe o portão principal do prédio com um sorriso… tal gentileza faz parte do ofício. Mais uma vez, a normalidade desejada. Sua ausência na portaria naquele dia, ou o cochilo que flagrou há dois anos é que provocam toda sua antipatia com essa “raça” de porteiros. Uma lástima!

Por isso, não há exagero da minha aluninha. O tal Ricardinho deve ser realmente o cara! Muito bom manter esse olhar virgem diante de tudo que realmente vale a pena, porque esse nosso olhar adulto é uma lástima!

Vocês o encontram aqui: http://www.arquimimo.pro.br

Ilustração: "Cotidiano", de María Julia Dodera.

3.7.06



(por Ivana M.)

Hoje preciso de um romantismo.
Dê-me um amor idealizado, por favor.
Sem riso. Sem chances. Sem soluços.
Limpar as calçadas da esperança
para não me ir a Pasárgada.
Sonhar das noites engraçadas e
cantantes felizes de beira de rua.

Preciso de uma imagem falsa
das que escondem os amores paixodos
cenhos franzidos
para não me ir a Pasárgada.
Mantenho os olhos abertos por se aparecem os adoradores.
Mantenho-me passos atentos mas não me chamam.

O som das pessoas nas ruas e eu
pensante vazio dentro de casa
aos quarenta anos dos possíveis avessos
as caras e os cenhos franzidos desaparecem.
Dou a moeda da sorte da fonte e
me alço aos aléns e aos quadros claros.
Vêm até mim os amores?
Fim.

25.6.06


(por Ivana M.)

Deámbulo y majadero, hondo sentimiento
De los que no suenan
Moribundo sentimiento de los siglos,
condenado,
inquiridor,
no se olvida el que nunca sufre lo suficiente
Tibet de los pasionales
Me arroja a lo fácil y me mira de lejos
obsesionado por la fealdad de mis sonrisas
quiere engalanar el tiempo comido por el moho
Pero el futuro envía amenazas
Miedosos rostros se conforman
y yo
sumergido bajo a ellos
desisto. Del todo.

22.6.06

( por Bruna Matos )

Ando, sigo em busca
Olho, me interesso,
Tentativas,
Minha maquiagem é bem feita
Produção atraente.
Mulher bela,
Carta difícil,
Busco amor, tão simples.
Sozinha na vida, será?
Afasto de mim as lembranças.
Minhas companheiras.
Atiro-me nos braços do mais sensato.
Fecho meus olhos,
Anulo-me às vontades,
Podem ser mudadas,
Preciso de novos horizontes.
Necessito me socorrer,
Libertar-me.
E amanhã?
Valerá à pena ter amanhecido?
Minhas revelações,
Recordações de quando fui capaz
De quando virei a mesa,
Me conheci!
Não estou feliz!
Viver se tornou uma arte
Ilusória e teatral.
Como toda farsa é prematura
A minha não se faria verdade.
Pois faltou um toque,
Um desejo
A vontade.
Me restou saudade
Do tempo em que minha face
Revelava quem realmente sou.
Eis o retorno, só deste me faço,
Volto ao meu terreno,
Entro na minha vida,
E lá que encontro no quarto
Aquela mulher, a mesma
Que nasceu em mim
E dela não me desfaço.
Mais uma vez me faltou
A vontade.
Esbarro-me naquelas tais “Memórias”
De um defunto hilário.
Folheio as laudas,
Eis que em uma página
Ele me diz: “leitora,
Estão lá os meus cinqüenta anos,
Aqueles teimosos, não tolhidos de frio
Nem reumáticos,
Mas adormecidos em sua fadiga,
Um pouco ávidos de cama e repouso."

14.6.06

(por Ivana M.)

Nem pau, nem pedra, nem aves
As colunas que se roem, as ruas desertas
Nem flores, nem estancos,
nem os pólens e nem as saudades

As coisas de amar são mais
que as grutas vazias guardadas
As coisas de amar são mais
que as águas guardadas das grutas

Os rios do Norte,
saúde, versos, poesia
Mistrales, Matildes
Drummonds,
Ignorâncias

Os trapos de mim, as coisas dos outros,
As coisas de amar são mais que as grutas vazias guardadas

As coisas de amar são mais que as águas guardadas das grutas

São mais que apenas essências
as coisas de amar são muitas
mais que as ondas das bandeiras
e ósculos santos
e amigos eternos
e sonhos amantes
e olhos de ressaca
e cabelos ao vento
e amores gustados
e poemas
e poesias

As coisas de amar são mais que as coisas guardadas vazias
As coisas de amar são mais
que as de amor.

18.5.06


Por Joana Souza

Te lo digo, amor, el sonido que se que queda en mis oídos
es el de tu baja voz, en la última noche que tuvimos
Dime tú, ahora, cómo volver al gris de mis días
si es en tus palabras donde encuentro alegría
Y explícame también como puedes tocar mis rostro
así más dulce que las flores, el viento y el rocío...

(Meu Deus, como eu admiro as pessoas de produção freqüente como a Jo..)

30.4.06

para McEnroe..

" ..o nosso humor é capaz de nos identificar..."

15.4.06

(por Joana Souza)

Tenho em mim algo de poeta
Algo como um vulcão
Não em intensidade
Porque intenso não é
É sutil e frágil e me obriga a prestar tanta atenção
que às vezes me pego distraída
olhando as palavras do meu coração.
Homem e Pássaro (por Wil Gomes)

Era somente um pássaro? Bem, era o que diziam!
Era um pássaro de asas largas, bem pigmentadas.
Mas quão belas eram estas!
O pássaro, que para mim nunca fôra objeto de vitrine,
lançou-se aos céus.
E em meio de Sols, Luas e Estrelas partiu.
Vivia cada momento,
cada vento em suas plumas,
vivia o gosto inconfundível do desconhecido.
Tinha mirada de homem forte e determinado!
Seu bico era forte assim como canela e café,
calor de verão, como beijo roubado...
ERA SER VIVO QUE BUSCAVA A LIBERDADE.
Ele em si era a própria vida de asas.
Formoso, alcançava espaços e lugares que gente humana nunca sonharia.
Inteligente assoviava as mais belas cirandas.
Ele era só.
Sim era...
Mas era o tudo em meio de um nada, por isso um vencedor,
um vencedor alado.
Ele era um pássaro.


(dedicado ao Sir. Alexandre Otávio Pacca, com muito carinho e apreço)
Microfobias cotidianas (por Ivana Millán)

Me levanto. Alguien duerme en el suelo. Molesta, no puedo pasar. Me desgarro hacia el otro lado y me impaciento: la cama es demasiado larga y no puedo pasar. Al fin salto dos o tres objetos y logro llegar a la puerta.
Intento abrirla: cerrada. ¿La llave? ¡Qué sé! Si prendo la luz, despierto a los ogros durmientes. Si no prendo la luz me echa mi ogro jefe. Prendo la luz. Una corazonada, rápidamente busco la llave, no encuentro, la busco un poco más, no está, no está. Apago la luz. Pienso: ¿dónde podrían haberla metido los ogros? Eh... a lo mejor se cayó al suelo. Prendo la luz, encuentro.
Al salir me doy cuenta de que la puerta principal había quedado abierta. Vuelvo a la pieza, cierro la puerta. ¿Y si hay alguien en la casa? ¿Y si el vecino malacara entró a robar? Adentro no puedo quedarme, salgo.
Camino con atención hasta la puerta principal, la cierro. Cierro la ventana (que igual quedó al dios-lo-cuide). Me muevo rápidamente y camino hacia el baño, me tengo que duchar antes de que me retrase, el ladrón puede esperar, quizá ya se fue. Me ducho. ¡No está la toalla? Ay, la tienen los ogros. Me arreglo en el baño, salgo mojado. ¿Estará el ladrón? A lo mejor. Pero tengo que comer.
Hay frutas y pan en la mesa. Frutas no, están tibias por el calor. Pan y leche helada. Termino. ¡Un susto! Uno de los ogros pasa al baño... Me calmo, rezo, me siento, rezongo, me tomo la leche con una velocidad increíble a punto de que me dé hipo. Tomo agua. El ogro vuelve a la pieza, no me ve.
Vuelvo a abrir la puerta principal, estoy retrasado, corro. Cierro la puerta y... ups... veo que el vecino lava su terraza... es domingo... la corazonada... es domingo y no trabajo los domingos.
Vuelvo a la pieza, me acuesto. Carajo, soy un ogro más.

30.3.06

( Roubado do blog da Jo)

Quando o vento leva embora aquele bando de esperança
os olhos da inocência me revelam a verdade que está tão bem escondida,num verde meio amarelado
Como eu gostava daquele tempo,
eu não sabia a diferença entre mentir e enganar e agora eu me engano, achanho que não estou mentindo lembrando de quando eu ainda era honesta comigo...
hoje tenho que enganar a quem tanto me amo ou desconheço o sentimento de culpa...
desconheço o sangue das minhas veias gosto de como as pessoas me olham (elas não sabem o que me espera)
...tudo muda...
e fico feliz com isso..
pois sei que minha vida vai melhorar quando tudo acabar, ainda terei o amor pra me lembrar o quanto um dia eu fui feliz ...
olhos cansados...
e felizes..

17.3.06

Uno
(por Ivana M.)

Cuando uno se destroza
y no hay agua de lluvia que derrame más,
y uno corre en la arena seca,
con los pies que se quemaron ayer en el cemento de la desesperación
y que ahora se queman en lugar jaranero,
y uno se cae,
levanta,
grita,
y el sol le lima, le lastima,
y el dios que tiene en el ombligo le sangra, le entumece,
entonces,
las armadas en contra del sentimiento que al tiro afloja no funcionan,
no callan, te abaten, se imponen
truenan.

(Me miran.

Con fusiles y ropaje impropio
Marchan adonde no consigo ver y callan. Pasaron.
Parece que consigo liberarme, no vuelven.)

Y uno descubre el daño que es estar vivo después de todo.

10.3.06



Presente no Futuro do Passado (por Joana S.)

Eu poderia ser você qualquer dia
Deixaria suas pernas me guiarem
e teria sua alma como guia
Derramaria por seus olhos minhas lágrimas
Meus sonhos em suas palavras
E minha paixão te arderia...

Te amaria pra sempre em uma noite
Não contente,
Te esqueceria nunca em um dia
E se meu presente é no futuro do passado
É porque meu amor é inventado
Pra ver se nesses versos caberia...

23.2.06


"às vezes, a melhor coisa que você tem a fazer é não sair da sua cama pela manhã... Se você não fizer isso, há uma grande possibilidade das coisas não funcionarem bem durante o seu dia e isso faz você ter uma vontade imensa de correr até ela, pedir-lhe desculpas por tê-la abandonado tão cedo..." (por Fábio Bernardes)
Delírios de um velho escritor
(por Ana Paula Marinho)

Acho que não sei mais escrever.
Deus o sabe. As canetas, também.
Damião, mosquitinho antigo
que me perturba na orelha direita
Também o sabe. Me acompanha há anos.
Meu amigão.
Não escrevo muito,
nem sei mais como escrevo
Gosto do que escrevo,
mas não gosto de como escrevo
Mas como não gostar
de como escrevo se
ainda agora disse
“nem sei mais como escrevo”?

Vai entender esse povo que escreve!

Aí....

... não deixa de ser um blog para "el arte de los PAJARONES". Um "pajarón" em chilenismo significa "avoado, lerdo, de outro planeta", o que não deixa de ser verdade, o somos! Mas o pé que fica no chão não será levado! (será que isso posso garantir?)
Loucura
(por Joana Souza)

Fico aqui pensando
se em você devo pensar
E daí que é loucura?
Nunca bebi esse vinho
esse hipócrita vinho sem álcool
sem idéias
vinho dos homens normais

Nunca conheci ninguém assim
então me perdoa ser tonta
parecer boba, encantada
avoada...
simbolista
futurista
alienada

E fico achando sobre isso
que você me castra
que você não pode
E que maldade a minha!
Só eu me castro
Só eu não posso


A arte dos pássaros

Ainda não sei quem "somos" (porque a descrição do blog diz que somos mais de um), mas sei que somos dezenas. Nossa colaboração vai para nós mesmos e para nossos grupos de amigos. Gostos iguais, mesmas ideologias? Nada... só estamos juntos.

Não vamos sempre falar de pássaros. Vamos falar de coisas que vamos aprendendo dia-a-dia, uns com os outros.

Hoje, percebo que aprendi algo comigo mesma, melhor, sobre mim: aprendi a me permitir o vôo e, logo, a deixar voar os que amo.Pessoalmente, sempre "podei" minhas próprias asas. Hoje vou colar as peninhas que ainda estão por perto e deixar voar.

(Vamos ver até quando dura o complexo de Marie Canario...)
Ivana Millán